A descoberta do câncer
Olá, me chamo Claudia, tenho 45 anos, sou administradora de empresas, casada e tenho uma filha de 12 anos. Aqui pretendo contar um pouco da minha percepção como filha da Leila, sobre esta doença alarmante e tão temida por todos nós, que é o câncer. A preocupação com o tema escolhido se justifica por seus números: uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que 1,2 milhão de novos casos da doença devem surgir no país entre 2018 e 2019. Só neste ano, a estimativa é que surjam 582 mil novos casos - 300 mil em homens e 282 mil em mulheres. O tipo de câncer mais comum no nosso país continua sendo, claro que esperado num país tropical, o câncer de pele, do tipo melanoma. Aliás, o melanoma é o tipo mais comum nos brasileiros e ninguém sabe da sua gravidade. Pouco se houve falar, o que considero lamentável. Até porque meu pai e meus irmãos já tiveram e eu mesma já retirei um sinal pequenino que foi diagnosticado como melanoma in situ, ou seja, que está numa camada superficial da pele. Dos demais cânceres, mama na mulher e próstata no homem vêm se destacando bastante.
Minha mãe já tinha tido essa amarga experiência em 2006, quando descobriu um câncer de mama ainda em estágio inicial, o que contribuiu bastante para a cura. Realizou cirurgia para retirada do câncer e como complementação ao tratamento, fez 30 sessões de radioterapia. Nesta época eu estava grávida da minha filha e pouco pude acompanhá-la nas sessões. Passados 12 anos do primeiro diagnóstico, em dezembro de 2017, minha mãe, aos 74 anos de idade, após exames de rotina, descobriu um câncer de endométrio em estágio avançado. Estávamos ainda vivendo o luto pela perda inesperada do meu pai Rudi, há seis meses e tivemos essa notícia que nos pegou de surpresa. Nosso pai não morreu de câncer mas foi quase como se fosse. Pancreatite aguda grave com necrose do pâncreas vitimou nosso querido e amado pai. Oportunamente, vou escrever um capítulo especial contando um pouco da história linda de vida desse pai de família com letras maiúsculas. Saudade...
Lembro bem o dia 06/01/2018 em que o médico que realizou a biópsia me disse com todas as letras: sua mãe tem câncer de útero! Após a realização do exame me chamou na sala de espera para me atualizar sobre o procedimento. Minhas pernas estavam bambas! A respiração pior ainda, meu coração parecia que ia sair pela boca. Ele foi categórico e me disse que era um câncer de endométrio, que faria a cirurgia em março e que seria necessário fazer quimioterapia e radioterapia. Eu, meio atônita com tudo pensei: não é possível, esse médico é maluco!!! Tanta precisão nas informações!! Pois ele estava absolutamente certo! Desde então, começou uma corrida contra o tempo! Comecei a ler sobre o assunto, visitando sites, me atualizando e tentando entender o que era o tal câncer de endométrio. A biópsia ainda não tinha resultado conclusivo, o que demoraria uns 15 dias aproximadamente. Mas o que eu entendi nesta fase das descobertas sobre a doença é que a gente precisa de orientação médica, ou seja, se cercar dos melhores profissionais para saber qual rumo tomar. Pasmem, mas com 45 anos a gente percebe que não sabe nada mesmo sobre doenças em geral, talvez por pura falta de interesse mesmo. Em um dos sites que pesquisei, descobri que a cirurgia para retirada do útero teria que contar obrigatoriamente com a participação de um médico oncologista na equipe médica. Até então guardei essa informação pra mim...Mas foi a única informação que gravei na minha cabeça, em meio a tantas outras difíceis de ler. Isso eu conto no próximo capítulo!
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